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18/04/19

Conselhos de Radiologia compartilham experiências de educação continuada para o trabalho

Conselhos de Radiologia compartilham experiências de educação continuada para o trabalho

A formação profissional deve preparar para o mercado de trabalho. Isso significa dizer que as alunas e os alunos devem sair do curso de Radiologia preparados para exercer a profissão, nada menos do que isso. Não obstante, também é necessário que o conhecimento técnico e tecnológico sejam acompanhados de conceitos de proteção radiológica e formação ética. A ligação entre esses valores fundamentais da educação ficaram expressos nas discussões e apresentações de representantes de todo o país, durante a realização do 1º Encontro da Coordenação Nacional com as Coordenações Regionais de Educação (Conae/Coreds) do Conselho Nacional e dos Conselhos Regionais de Técnicos em Radiologia (Sistema CONTER/CRTRs).

O encontro foi palco para mais um importante debate sobre as propostas de diretrizes curriculares nacionais dos cursos técnicos e superiores, apresentadas pelo CONTER ao Ministério da Educação (MEC). Embora este seja o projeto macroestrutural do grupo, as coordenações também já estão desenvolvendo atividades de base nos estados e os depoimentos mostram avanços nos programas de educação continuada iniciados em diversas regiões do país. "Fiquei empolgada com os resultados apresentados e estou convicta de que a educação continuada é o caminho a seguir, pois a nossa profissão não para de evoluir e não podemos deixar de estudar. Formação, atualização e reciclagem devem ser matérias permanentes na vida de profissionais das técnicas radiológicas", destacou a presidente da Conae, a conselheira federal Silvia Karina.

   

As experiências mostram que as Coordenações de Educação dos Conselhos de Radiologia estão firmando parcerias com instituições de ensino e órgãos do governo, para oferecer atividades socioeducativas complementares, gratuitas ou a valores simbólicos. Em Minas Gerais, a Cored do CRTR3 mostrou o relatório dos eventos realizados em 2018 e apresentou um cronograma para este ano. "Vamos realizar simpósios em Juiz de Fora, Montes Claros, Uberlândia e Governador Valadares. No final do ano, vamos fazer uma conferência estadual em Belo Horizonte. Os eventos serão gratuitos, a entrada será no máximo um quilo de alimento", disse Rodrigo Gadelha.

No Rio de Janeiro, a coordenação desenvolve vários programas, entre eles o 'CRTR na educação', 'Quarta do conhecimento', 'Café da manhã com profissionais', 'Radiologia sem fronteiras', 'Estágio legal', entre outros. “Temos especialistas de todas as áreas em nossa coordenação, cada um contribui com uma visão específica sobre os temas. Mantemos programas de educação continuada para quem já está formado, pois identificamos a necessidade de reciclagem e atualização dos profissionais mais antigos. Também atuamos nas outorgas de credenciais e nas atividades com estudantes, para contribuir na formação dos novatos. Nos encontros, a gente troca ideias, tira dúvidas, recebe críticas e responde aos profissionais sobre as questões que os afetam”, conta a presidente da Cored do CRTR4, Catia de Fátima Benevides.

O estado de São Paulo está realizando um trabalho descentralizado para envolver até as cidades mais distantes. “Nos reunimos de 15 em 15 dias para manter um planejamento arrojado. Estamos realizando um ou dois eventos educativos por mês, sempre em municípios diferentes. A logística é bastante complicada, mas os resultados são gratificantes. Desenvolvemos capacitações, principalmente, sobre ressonância, mamografia, industrial e tomografia, que são as áreas de conhecimento mais procuradas pela categoria", assegura o presidente da Cored do CRTR5, Márcio Roberto Gonçalves.



Um dos eixos de desenvolvimento da política de educação dos Conselhos de Radiologia passa por aqueles que são responsáveis pelas equipes profissionais, uma vez que esses personagens são grandes vetores de difusão do conhecimento. A experiência do Rio Grande do Sul mostra como funciona essa estratégia. “Começamos o nosso programa de educação continuada pelos supervisores, pois eles compartilham o que recebem com quem está sob sua responsabilidade. Isso os trouxe para perto do conselho e os fez perceber a força, o poder e a capacidade que eles possuem de influenciar positivamente a formação e a proteção dos profissionais”, destacou a presidente da Cored do CRTR6, Janaína Fagundes de Moraes.

Na Bahia, a opção foi realizar grandes eventos, com a possibilidade de atender e mobilizar grandes grupos de profissionais. “No segundo semestre de 2017, começamos a fazer os nossos eventos em parceria com escolas técnicas, faculdades e com os grandes hospitais. Priorizamos os cursos de atualização que a categoria mais precisa. Qualquer evento que a gente realiza, facilmente, comparecem 300 pessoas”, conta o presidente da Cored do CRTR8, Cristiano Messias Lira. No centro-oeste, os grandes eventos também fazem parte da rotina de profissionais e estudantes goianos e tocantinenses. “Em nossa região, temos a tradição de realizar grandes eventos científicos, com a participação de centenas de pessoas. Conseguimos fazer esses encontros por meio de parcerias com o Conselho Estadual de Educação e até com outras ordens profissionais, como é o caso da parceria que temos com o Conselho de Enfermagem. As atividades são gratuitas para todos", destaca o presidente da Cored do CRTR9, Eduardo Lyra.

“A agenda de eventos científicos no Paraná é muito intensa, temos programação cheia até novembro. Na coordenação dos programas educativos, temos membros de várias cidades, de todas as regiões do estado, para atender a demanda de forma descentralizada”, declarou o presidente da Cored do CRTR10, Heliomar Lisik. “Fizemos parceria com uma instituição de ensino e temos um grande auditório disponível para realizar as nossas atividades em 2019. Essa reunião foi muito produtiva, vamos levar várias ideias para implantar em nosso estado”, complementou o Paulo Victor Iaczinski, que também é membro da Cored do CRTR10.

Em Santa Catarina, a rotatividade dessas atividades de formação, atualização e reciclagem é fundamental para democratizar o acesso. As oportunidades devem ser oferecidas com regularidade e equilíbrio para surtir o efeito esperado. “Iniciamos nosso programa de educação continuada no início de 2018. Os eventos são tão procurados que, para atender a todos, não deixamos que a mesma pessoa participe repetidamente das atividades. As próximas atividades vão ser sobre supervisão profissional e otimização de doses. Ainda estamos fechando a grade para o segundo semestre”, disse o membro da Cored do CRTR11, Luiz Henrique Nascimento.

No Espírito Santo, o trabalho começou por quem ensina. “Para nós, a formação dos professores é prioridade. Vamos realizar um encontro estadual de educadores da nossa área, para começar o programa de educação continuada por eles. Já tivemos um encontro com estudantes neste ano e a maior felicidade é ouvir ‘professor, este foi o melhor evento que participei em minha vida’. É muito gratificante perceber a satisfação dos alunos e profissionais”, disse o membro da Cored do CRTR13, Heber Almeida Carvalho.

Em Pernambuco, a preocupação também é com a supervisão da proteção radiológica. “Temos um projeto de capacitação para SATR. Queremos adotar as novas diretrizes nacionais para os cursos no estado, com o objetivo de preparar verdadeiramente para o mercado de trabalho. Nós já temos parcerias com instituições de ensino para oferecer benefícios e descontos aos profissionais que querem fazer cursos de atualização e reciclagem”, frisou a presidente da Cored do CRTR15, Wanessa Cavalcanti.

No Rio Grande do Norte e na Paraíba, existe uma certa preocupação com a proliferação de capacitações que não contribuem em nada com o propósito de qualificar para o trabalho. “Existe muita gente oferecendo cursos livres em nossa região, sem capacidade de ensinar, gente sem experiência na área. Por isso, criamos um programa de avaliação, para verificar a qualidade do que é oferecido. Aqueles que passam pelo nosso escrutínio, recebem indicação como curso de qualidade, são atividades que os profissionais e alunos podem confiar”, declarou o membro da Cored do CRTR16, Gutemberg Claudino, que também fez uma proposta para alavancar o programa em sua região. “Os Conselhos Regionais pequenos enfrentam muitas limitações financeiras, temos pouca verba para investir em educação. Minha sugestão é elaborar programas integrados, em nível nacional, para aumentar nossa participação”, reivindicou.

Os depoimentos serviram como incentivo para quem está apenas começando. “Criamos nossa coordenação agora e vamos implantar nosso projeto de educação continuada. Aprendi bastante neste evento e vou levar as experiências dos colegas para o meu estado. Em oito meses, fizemos o que não foi feito em 20 anos. Nosso Regional hoje é visto de outra forma, os profissionais estão mais atentos ao nosso trabalho”, destacou a presidente da Cored de Amazonas e Roraima, Ilana da Silva Campelo.



O encontro teve a participação de gente que está na profissão faz tempo, mas só agora decidiu fazer parte do time que ajuda a combater o exercício ilegal. “Trabalho desde 1980 e nunca tinha me envolvido em instituições como o conselho. Agora, na reta final da carreira, decidi assumir minhas responsabilidades com a categoria. O que nós estamos fazendo para mudar? Vamos ficar apenas reclamando? É importante pensar em fazer a nossa parte”, declarou o diretor-secretário interventor do CRTR7, Ricardo Antônio de Oliveira Macedo.

Na avaliação do presidente do CONTER, Manoel Benedito Viana Santos, o trabalho realizado mostra o compromisso de sua gestão com a formação profissional. "Por meio da fiscalização, combatemos o exercício ilegal. Por meio da educação, de maneira complementar, combatemos a falta de competência. Nossa categoria vai prevalecer sobre quem não tem habilitação, por meio do conhecimento altamente especializado sobre a profissão. Vamos mostrar nosso valor", disse.

Membros da Coordenação Nacional de Educação (Conae) e grandes entusiastas da categoria, os professores Francisco Cordão e Paulo Wollinger arremataram as apresentações com observações irretocáveis. “O CONTER saiu na frente, ao apresentar ao MEC uma proposta de diretriz curricular especifica para a Radiologia. Foi o primeiro conselho a fazê-lo. Não basta ter formação profissional, é necessário desenvolver as competências técnicas”, registrou Cordão. “Eu fui um dos criadores do curso técnico em Santa Catarina, na década de 1990. Hoje, temos um curso de mestrado profissional neste mesmo campus. Primeiro mestrado profissional que surge a partir do curso superior de tecnologia em Radiologia. Não existem dúvidas de que o tecnólogo é curso superior”, asseverou Wollinger.

Para os especialistas, a categoria e o mercado precisam superar o estigma do subdesenvolvimento e valorizar o conhecimento que é produzido aqui. “Os cursos de graduação na Europa duram 3 anos, todos. Os bobos acreditam que o que define a qualidade de um curso é o seu tempo de duração, não é. Os cursos superiores de tecnologia representam 50% do total nos países desenvolvidos. No Brasil, apenas cerca de 15%. Não é a educação que resolve os problemas de um país, é a educação profissional. Ela é o caminho para a construção da cidadania, pois prepara para o trabalho”, conclui Wollinger. A esse respeito, outro ponto relevante é a distinção entre técnico e tecnólogo. “O perfil está bem definido, tanto para o técnico quanto para o tecnólogo. Essa é a principal pergunta que recebemos, qual a diferença? Na nossa proposta de diretrizes, isso fica bem claro”, disse o presidente do CONTER, Manoel Benedito Viana Santos.

Não obstante, como se trata de uma profissão que atua no atendimento de pessoas, também é importante cuidar do posicionamento da instituição perante a sociedade. “Os nossos conselhos precisam desenvolver projetos de responsabilidade social também. Sugiro a criação de um calendário para envolver os profissionais e prestar serviços à comunidade. Isso é importante. Precisamos demonstrar preocupação com a sociedade. Fazer a extensão do conhecimento para beneficiar pessoas de fora”, recomendou o membro da Conae, professor Guilherme Oberto.

“Esse intercâmbio, a troca de ideias, mostrar o que está fazendo para que o outro veja que tem modelos a seguir, tudo isso é muito importante para o nosso amadurecimento profissional. A troca de conhecimentos foi intensa, percebemos que temos condições de fazer muito mais. Como a educação é parte do processo fiscalizatório, a gente percebe que o profissional fiscalizado é melhor atendido se você começar esse trabalho com ele desde a formação inicial”, disse Silvia Karina, que também destacou o lançamento da 2ª edição da revista científica Curie&Röntgen durante a programação. “Do ponto de vista da ampliação e consolidação do conhecimento, penso que o nosso periódico vai ser a vitrine que faltava”, finalizou a presidente da Conae.

 

FONTE: http://conter.gov.br/